sábado, 4 de abril de 2009

Caminhos Existênciais- A busca da minha Essência

Percorri vários caminhos em busca de ajuda para o meu transtorno psiquiátrico, nessa longa peregrinação encontrei vários anjos iluminados, não vou citar nomes para não ser injusta, muitas vezes podendo esquecer de alguém.
Passei por três semi-internações em Hospital-Dia, o aprendizado e o amadurecimento que isso me proporcionou foi muito grande. Aprendi um pouco em como lidar com as duras crises, apeguei-me a alguns recursos internos como a pintura e o grande Dom Divino de Escrever. Não posso ignorar também o grande suporte familiar, que antes de perder meu pai numa morte inesperada não havia percebido. O transtorno psiquiátrico muitas vezes me limita tenho que parar com tudo e investir ainda mais no tratamento, tirando uma grande força interior para que aja a melhora. O tratamento em Hospital-Dia é feito de trocas experienciais, e a constatação de que todo ser humano em sua essência enfrenta problemas, os quais cabe a ele superar, mesmo em meio às crises. O grande desafio é ser alegre em meio às dores do mundo, aos problemas do dia-a-dia e aprender a lidar com a frustração, o que para mim ainda é um fato difícil ma não imposível. Sei que preciso estruturar ainda mais esse emaranhado de pensamentos e sentimentos que dominam, porém isso depende de um processo terapêutico longo e contínuo, tendo também a consciência da importância da medicação, pois o paciente psiquiátrico é como o diabético que tem que tomar medicação para o resto da vida, por mais dificíl que seja a aceitação ao longo dos anos tomar medicação se torna um hábito e a alegria de estar bem supera muitas vezes a vontade de desistir. Sinto-me como uma larva de borboleta que pouco -a -pouco ai do casulo e quer voar, porém sem perder a consciência da realidade. Às vezes vem uma vontade louca de morrer, um sentimento de angústia diante da vida, mas sei que é nesse momento que tenho que ter garra para superar e pensar em quanto sou amada por meus amigos e minha família, me aconchego em seus braços e vem à calma.
Minha luta começou desde o nascimento, passei por fases de grandes preconceitos na infância, principalmente morando numa cidade do interior, foi detectado em mim por uma psicóloga uma grande dificuldade psicomotora e fui encaminhada a APAE, tendo sido um trauma para mim, que até pouco tempos não acreditava nas minhas potencialidades. Na escola era agressiva tinha dificuldades de relacionamentos, porém sempre fui exemplo de superação, busca de ajuda. Gostava mesmo é de ficar escutando as conversas de meu pai sobre política, ficava envolvida com minhas leituras e na medida do possível procurava e hoje procuro me relacionar de forma sadia com as pessoas.
Vou continuar essa luta incessante esse trabalho árduo de autoconhecimento e sei que vou vencer porque meu nome é SUPERAÇÃO.

Márcia Garcia de Carvalho 1/03/2009 09:40:29

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